A história de Gedeone por Bira Dantas

Clique no link abaixo para ler um dos textos mais interessantes sobre o mestre Gedeone Malagola escrito pelo genial Bira Dantas, para o saudoso site bigorna.

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http://www.bigorna.net/index.php?secao=osimortais&id=1277169080

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A história de Gedeone por Bira Dantas

O PRIMEIRO SUPER-HERÓI DO BRASIL

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Poucos leitores novos sabem e muitos jovens ainda fazem confusão mas o nosso Raio Negro foi criado alguns meses antes do herói homônimo da Marvel. Gedeone Malagola criou o personagem em 1964 e foi publicado pela primeira vez em fevereiro de 1965.

O herói silencioso da editora norte-americana,  criado por Stan Lee e Jack Kirby, apareceu em dezembro de 1965 na edição nº 45 do Quarteto Fantástico.

Detalhe importante: naquela época não existia internet, celular  e nem spam!

O PRIMEIRO SUPER-HERÓI DO BRASIL

Ao Amigo Leitor

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Editoral do Almanaque Raio Negro nº1 pela Grafipar

O Raio Negro, personagem brasileiro de revistas em quadrinhos, é o piloto da FAB Roberto Sales, que durante anos fez sucesso e foi elogiada pela Censura, quando da proibição de algumas revistas de terror.

Inicialmente, surgiu na editora GEP, de Miguel Penteado, no ano de 1965, escrita e desenhada por Gedeone Malagola, que também escrevia Lobisomen e Múmia para a mesma empresa.

Na página 183 de seu livro O Mundo dos Quadrinhos, Ionaldo A. Cavalcanti diz o seguinte sobre Raio Negro:

“Criação brasileira de Gedeone Malagola em 1965, também autor do Homem-Lua, o Raio-Negro, na outra identidade é o Tenente Roberto Sales, da Força Aérea Brasileira, que recebeu seus poderes de um habitante de Saturno, Lid, por ocasião de viagem espacial de um foguete lançado da Barreira do Inferno, Roberto Ganhou de Lid um anel de luz negra, com o qual obtém os superpoderes que o tornam indestrutível”.

No Mundo dos Super-heróis edição especial da revistas Vozes nº 4, Moacir Cirne comenta o Raio Negro e diz num trecho:

“Talvez, o único super-herói brasileiro nos moldes tradicionais americanos.”

E o Raio Negro foi citado na Espanha por Luiz Gasca, na Itália, França, etc.

A Grafipar, lançando o gênero de aventuras, começa com Raio Negro, fazendo uma coleção de seis volumes, com 100 páginas cada. Um coleção repleta de ação, emoção, fantasia, para você guardar. Nela desfilarão Raio Negro, Hydroman, Homem-Lua e outro heróis combatendo os vilões Op-art, Capitão Sônico, Mulher-Gato e muitos outros!

Este é o primeiro número de Raio Negro editado pela Grafipar, Da aceitação dele entre os leitores dependerá a continuação da coleção com os outros cinco volumes.

Ao leito Amigo, um bom divertimento com as aventuras do Raio Negro e seus amigo, é o que deseja a GRAFIPAR.

Ao Amigo Leitor

Raio Negro, o nosso herói

por Ede Galileu

O tenente Roberto Salles é um piloto da FAB que ao ser enviado ao espaço numa missão secreta em voo orbital acaba encontrando um disco voador. No interior da nave está o alienígena Lid, oriundo do planeta Saturno. 

Ao arriscar sua vida para salvar o alienígena que estava gravemente ferido, Roberto recebe uma recompensa, o anel de luz negra feita com a energia magnética de Saturno, e que confere super poderes ao seu proprietário.

Não tem como negar que o surgimento do RAIO NEGRO, em 1964 foi uma espécie de marco na história dos super-heróis brasileiros. Criado por Gedeone Malagola, o personagem é considerado um dos primeiros super-heróis brasileiros e seu autor roteirizou e desenhou Raio Negro em 24 aventuras, sendo publicadas também em almanaques e na revista “Edições GEP” (estreladas pelos “X-Men”).

A história de sua criação é bem curiosa, pois quando o Homem Lua foi recusado pela GEP, seus editores pediram que Gedeone então, que desse uma olhada no “Lanterna Verde” piloto que estava fazendo sucesso nos EUA na época (ou seja, o fato de Roberto ser piloto e sua origem ter a ver com um alienígena também não é coincidência), e às pressas, surgiu “Raio Negro”, nos anos 60 era comum os editores pedirem aos desenhistas e escritores criarem genéricos dos gringos. Já o visual , apesar de parecido com o “Ciclope dos X-Men” pode ter sido só uma coincidência, já que o Gedeone disse ter baseado seu visor em um personagem de “Terry e os Piratas”, sem falar que antes de “Ciclope”, houveram outros personagens com visor, inclusive Nilats, um vilão da Patrulha Espacial criado em 1953, pelo próprio Gedeone.

A questão é que Raio negro incentivou muito a criação de outros personagens e hoje o Brasil conta com um grande time de heróis nacionais.

Para mim o Raio Negro representa o início do universo de super-heróis do Brasil, assim como o Superman deve ter incentivado muito a criação de muitos outros heróis com super poderes, o Raio Negro no Brasil também fez o mesmo, não pela sua originalidade (já que vimos que não é tão original assim), mas pelo que ele representou. Agora era possível criar nossos próprios super-heróis.

Eu não era nascido quando ele foi criado, quando ouvi falar de Gedeone e do Raio Negro, era um moleque começando a gostar de HQ’s de super-heróis, mas como pesquisador e apaixonado pelos quadrinhos nacionais, conhecí muita gente que ficava emocionado ao lembrar da sua infância e seu primeiro contato com o personagem.

No ano de 2001 um amigo me falou sobre o grande Gedeone, e que ele morava aqui pertinho de mim, na cidade de Jundiaí, fiz minha primeira pesquisa para saber mais e como não podia deixar de fazer, ele foi o grande homenageado na segunda edição do Jundcomics (evento que organizo até hoje por aqui). Esta foi minha primeira homenagem ao mestre Gedeone e às suas criações.

[Ede Galileu é ilustrador, quadrinhista, arte-educador e produtor cultural, é apaixonado por todas as áreas da cultura mas tem um apreço maior pela nona arte. Os super-heróis sempre foram sua preferência e por isso aprendeu a conhecer e a valorizar os heróis brasileiros também. Em 2014 foi o responsável pela nomeação e decoração da Gibiteca Municipal Gedeone Malagola na cidade de Jundiaí.]
Raio Negro, o nosso herói